Coragem
Rapunzel

Numa torre sem porta nem escada, Rapunzel canta para atravessar os dias. Sua voz chega a um príncipe que passa pela floresta — e abre caminho para encontros, uma promessa e uma longa procura.
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- Indicação
- A partir de 7 anos
- Duração
- 8 min de narração
- Fonte
- Rapunzel, KHM 12 (1857)
- Adaptação
- Reconto próprio e condensado de Rapunzel, a partir do conto recolhido pelos Irmãos Grimm. Uma história de coragem, separação e reencontro.
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O que esta história ajuda a formar
Coragem, manifestada na saída do isolamento e perseverança na separação.
Para ler em família
Leia a história
Atrás de um muro alto crescia um jardim que ninguém da vizinhança se atrevia a visitar. Havia flores entre os caminhos e canteiros de folhas tenras, sempre bem regados. O jardim pertencia a uma feiticeira.
Na casa ao lado morava um casal que esperara muito por um filho. Agora a mulher estava grávida. Da janela, ela olhava um canteiro de rapôncio, uma planta de folhas verdes que se comia em salada. A vontade de prová-las cresceu tanto que ela perdeu o apetite por qualquer outra comida e começou a definhar.
O marido se assustou. Ao anoitecer, saltou o muro, arrancou um punhado de folhas e voltou correndo. A mulher comeu tudo. No dia seguinte, queria mais.
Ele entrou outra vez no jardim. Ao se virar, encontrou a feiticeira diante de si.
— Então é você quem rouba as minhas plantas!
O homem pediu perdão e contou o que acontecia em casa. Ela o escutou sem sair do caminho.
— Leve quanto quiser. Mas, quando a criança nascer, você a entregará a mim. Cuidarei dela como uma mãe.
Apavorado, ele aceitou.
Quando a menina nasceu, a feiticeira veio buscá-la. Deu-lhe o nome de Rapunzel, por causa da planta do jardim, e a levou consigo.
Rapunzel cresceu. Aos doze anos, a feiticeira a prendeu numa torre no meio da floresta. Não havia porta nem escada. Só uma janela, muito acima do chão.
Quando queria subir, a feiticeira parava lá embaixo e chamava:
— Rapunzel, Rapunzel! Solte suas tranças!
A menina tinha cabelos compridos, dourados e finos. Prendia as tranças num gancho junto à janela e as deixava cair pelo lado de fora. A feiticeira se agarrava a elas e subia pela parede.
Da janela, Rapunzel acompanhava as mudanças da floresta. Via os brotos nas árvores, depois a folhagem espessa, depois os galhos nus. Os pássaros pousavam perto e tornavam a voar. Ela ficava.
Para passar as horas, cantava.
Alguns anos depois, um príncipe atravessava a floresta quando ouviu aquela voz. Parou o cavalo e procurou quem cantava. Acima das árvores, descobriu a janela da torre.
Deu a volta na construção. Afastou os ramos junto às pedras. Não encontrou entrada alguma.
Voltou no dia seguinte, e nos outros também, para ouvir Rapunzel. Certa tarde, viu a feiticeira se aproximar. Ficou atrás de uma árvore e escutou o chamado. Viu as tranças descerem, compridas até o chão.
Esperou até o outro entardecer. Então chegou ao pé da torre e chamou:
— Rapunzel, Rapunzel! Solte suas tranças!
Quando o príncipe apareceu na janela, Rapunzel recuou, assustada. Nunca recebera outra visita.
Ele permaneceu junto à janela e falou com cuidado. Contou que ouvira seu canto entre as árvores e voltara para conhecê-la. Aos poucos, ela se aproximou. Quis saber de onde ele vinha, como eram as cidades, quem morava além da floresta.
O príncipe voltou outras vezes. Rapunzel passou a esperar a hora em que o sol descia por trás das copas.
Quando ele lhe pediu que fosse sua esposa, ela aceitou e colocou a mão na dele. Tornaram-se marido e mulher, mas Rapunzel ainda precisava sair da torre.
— Quero ir com você. Mas como vou descer?
Olhou para as próprias tranças, presas à janela. Então teve uma ideia.
— Traga um pouco de seda a cada visita. Vou trançar uma escada. Quando estiver pronta, descerei por ela.
O príncipe trazia a seda ao cair da tarde. Durante o dia, Rapunzel trabalhava, unindo os fios e apertando os nós. A escada crescia, escondida da feiticeira.
Mas, certa manhã, enquanto puxava a velha para dentro da torre, Rapunzel perguntou sem pensar:
— Por que a senhora pesa tanto mais que o príncipe?
A feiticeira ficou imóvel.
— O príncipe? Você deixou alguém entrar?
Agarrou as tranças de Rapunzel e cortou seus cabelos com uma tesoura. Depois a levou para uma região deserta, longe da torre, e a abandonou ali.
Naquela noite, o príncipe encontrou as tranças penduradas como sempre. Subiu depressa. Na janela, porém, a feiticeira o esperava.
— Veio buscar Rapunzel? Ela não está mais aqui. Você nunca tornará a vê-la!
Desesperado, o príncipe se lançou da torre. Sobreviveu à queda, mas caiu entre espinhos que lhe feriram os olhos. Ficou cego.
Por muito tempo, vagou pela floresta. Alimentava-se de raízes e frutos, tateava os troncos para encontrar passagem e chamava por sua esposa, Rapunzel. As estações mudaram. Ele continuou a caminhar.
Longe dali, Rapunzel também atravessava dias difíceis. Na solidão nasceram os filhos dela e do príncipe, gêmeos: um menino e uma menina. Ela os abrigava junto de si e buscava o necessário para alimentá-los. À noite, cantava para que adormecessem.
Anos se passaram até que o príncipe chegou àquela região.
Um dia, ouviu uma voz.
Parou. Entre os sons do vento, a canção voltou a soar. Ele conhecia aquele canto. Seguiu na direção da voz, procurando o chão com os pés, e chamou:
— Rapunzel!
Ela ergueu o rosto. Correu até ele e o abraçou. Ao ver seus olhos feridos, chorou, e duas lágrimas caíram sobre eles.
Então os olhos do príncipe se tornaram claros. Primeiro ele distinguiu a luz; depois, o rosto de Rapunzel, bem perto do seu. Podia enxergar outra vez.
Os filhos se aproximaram. O príncipe se abaixou para recebê-los, e Rapunzel disse o nome de cada um.
Juntos, partiram para o reino dele, onde foram recebidos com alegria.
Ao atravessarem os portões abertos, cada criança segurava a mão de um dos pais.
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