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Coragem

Jasão e o Chamado do Velocino de Ouro

Os Argonautas · episódio 1

A partir de 7 anos7 min de narração

Ilustração de Jasão e o Chamado do Velocino de Ouro

Ao chegar a uma festa com uma sandália só, Jasão desperta o temor do rei Pélias e recebe uma ordem que o levará para além do mar. Antes de partir em busca do Velocino de Ouro, ele precisa encontrar quem o ajude a enfrentar a distância e os perigos da Cólquida.

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Indicação
A partir de 7 anos
Duração
7 min de narração
Fonte
Biblioteca; Argonáuticas, livro I
Adaptação
Reconto próprio baseado na Biblioteca, de Pseudo-Apolodoro, e nas Argonáuticas, livro I, de Apolônio de Rodes.

Também disponível em YouTube, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer.

O que esta história ajuda a formar

Coragem designa aqui a disposição inicial de enfrentar a viagem, apoiada na ação de procurar Argos, não uma santificação de Jasão.

Para ler em família

Leia a história

A água do rio estava gelada. Jasão entrou devagar, procurando o fundo com os pés. A corrente batia em suas pernas e puxava a roupa para o lado.

Na outra margem ficava o caminho de Iolco. O rei Pélias celebrava uma festa em honra de Poseidon, deus do mar, e mandara chamar muita gente. Jasão vinha dos campos, onde morava e cuidava da terra. Era filho de Éson, da família dos reis daquela cidade.

No meio da travessia, um pé afundou no lodo. Jasão firmou a outra perna e puxou. O pé saiu; a sandália, não.

Ele tentou encontrá-la com os dedos. Debaixo da água turva, porém, não enxergava nada. A corrente continuava empurrando. Por fim, alcançou a margem com uma sandália só e seguiu caminho, deixando marcas de um pé descalço na terra molhada.

Quando chegou à festa, havia vozes por toda parte. A fumaça dos sacrifícios subia dos altares, e os convidados se reuniam para o banquete. Jasão entrou entre eles.

Pélias viu primeiro o jovem. Depois, baixou os olhos.

Um pé calçado. O outro, nu.

O rei guardava havia muito tempo um aviso dos deuses, recebido por meio de um oráculo: devia tomar cuidado com o homem de uma sandália só. Por causa desse homem, Pélias encontraria a morte.

Agora o sinal estava diante dele, no meio da festa.

Jasão não trouxera um exército. Trazia lama nos pés e a roupa ainda úmida do rio. Mas Pélias não conseguia desviar os olhos daquela sandália. Aproximou-se e fez uma pergunta:

— Jasão, suponha que você fosse rei. Se um oráculo anunciasse que um homem de sua cidade iria matá-lo, o que faria com esse homem?

Jasão respondeu:

— Eu mandaria que fosse buscar o Velocino de Ouro.

Jasão pronunciou o nome do tesouro sem precisar levantar a voz. O rei estava perto, atento à resposta.

O Velocino era a pele de um carneiro coberta de lã de ouro. Estava na Cólquida, muito além do mar que se via de Iolco. Para chegar lá, seria preciso atravessar águas distantes, procurar passagem entre terras desconhecidas e alcançar o reino de Eetes.

Mas aquela lã não tinha começado sua história pendurada numa árvore.

Muito antes, dois irmãos, Frixo e Hele, haviam fugido de casa sobre o dorso de um carneiro que voava. A madrasta tramara a morte de Frixo. Para salvar os filhos, a mãe lhes dera aquele animal de lã dourada.

O carneiro levantara voo, levando os dois sobre campos e cidades. Depois, debaixo deles, só havia água.

Durante a travessia, Hele caiu no mar e morreu afogada. Frixo prosseguiu sem a irmã, até que o carneiro o levou à Cólquida. Ali, o rei Eetes o acolheu.

Frixo ofereceu o carneiro em sacrifício a Zeus, agradecendo por ter escapado da morte, e entregou a pele dourada a Eetes. O rei a prendeu a um carvalho, no bosque sagrado de Ares.

Um dragão que nunca dormia guardava o Velocino.

De dia e de noite, enquanto as folhas do carvalho se moviam sobre a lã de ouro, os olhos do guardião permaneciam abertos.

Era isso que Jasão acabava de propor: enviar um homem para além do mar, ao encontro daquele dragão.

Pélias não deixou a resposta se perder entre as vozes do banquete.

— Então será você. Vá à Cólquida e traga o Velocino de Ouro.

Jasão olhou para o rei. A pergunta parecia tratar de algum outro homem da cidade. Agora era ele quem teria de partir.

Pélias esperava que o mar ou os perigos de uma terra estrangeira acabassem com a viagem e com o viajante. Assim, pensava, o homem da sandália única jamais voltaria a Iolco.

Ao redor deles, a festa continuava. Alguém passou carregando uma travessa. Jasão se afastou para dar passagem, mas permaneceu ali por um momento, diante do rei. A ordem não tinha sido retirada.

Ele saíra dos campos para participar de um banquete. Agora teria de deixar a terra onde conhecia os caminhos, embarcar para um reino que nunca vira e voltar com algo guardado por uma criatura que não fechava os olhos.

Quando saiu da festa, foi até a praia.

A extensão da água se abriu diante dele. Perto da margem, podia ver as pedras no fundo. Mais adiante, o mar escurecia; depois, céu e água se encontravam numa linha que ele não conseguia ultrapassar com os olhos.

Jasão precisaria de ajuda. Não bastariam seus braços, nem o pequeno barco de um pescador. Seria preciso um navio capaz de enfrentar aquela distância e companheiros que aceitassem atravessá-la com ele.

Jasão deixou a beira do mar e foi procurar Argos, que sabia construir navios. Pediu-lhe ajuda para a viagem à Cólquida.

Episódio 1 · Os Argonautas

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