Ir para o conteúdo

Verdade

O Rato do Campo e o Rato da Cidade

A partir de 4 anos5 min de narração

Ilustração de O Rato do Campo e o Rato da Cidade

Um rato deixa os grãos de sua toca para conhecer os banquetes da cidade. Entre figos, mel e portas que se abrem de repente, descobre o preço daquela fartura.

Prefere ler? Leia a história ↓

Indicação
A partir de 4 anos
Duração
5 min de narração
Fonte
Esopo, The Town Mouse and the Country Mouse; tradição de Esopo
Adaptação
Reconto próprio fiel à tradição original.

Também disponível em YouTube, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer.

O que esta história ajuda a formar

Diante dos perigos do banquete, o rato do campo escolhe voltar à comida simples e à tranquilidade de sua toca.

Para ler em família

Leia a história

O rato do campo morava à beira de uma plantação, numa toca debaixo de uma árvore. Perto da entrada, guardava os grãos que recolhia entre as espigas.

Certa manhã, recebeu a visita de um amigo que morava na cidade.

— Entre! Fique para comer comigo.

Escolheu os melhores grãos de sua reserva. Trouxe também algumas raízes e acomodou o amigo num canto abrigado.

Os dois se sentaram para comer. Do lado de fora, o vento passava pela plantação.

O rato da cidade provou um grão. Depois, roeu a ponta de uma raiz.

— É isso que você come todos os dias?

— É o que encontro por aqui. Pode pegar mais.

Mas o visitante deixou a raiz de lado.

— Você precisa conhecer a minha casa! Lá há farinha, aveia, figos e potes cheios de mel. Venha comigo. Quero lhe oferecer um jantar de verdade.

O rato do campo olhou para os grãos que havia separado com tanto cuidado. Nunca tinha provado mel. E como seriam os figos?

Naquela tarde, os dois partiram para a cidade.

Caminharam até uma casa grande. O rato da cidade entrou por uma fresta junto ao chão e fez sinal para o amigo segui-lo.

Do outro lado havia um quarto onde os donos da casa guardavam comida.

O rato do campo parou na entrada.

Nas prateleiras, os potes ficavam enfileirados. Havia sacos de farinha encostados na parede, flocos de aveia espalhados e um cesto cheio de figos secos.

— Pode escolher — disse o anfitrião.

O visitante se aproximou do cesto. Segurou um figo com as duas patas e deu uma mordida. Era macio por dentro, doce e cheio de sementes miúdas.

— Gostou? Espere até provar o mel!

O rato do campo ia dar outra mordida quando a maçaneta da porta se moveu.

O amigo largou a comida.

— Depressa! Por aqui!

A porta se abriu. Os ratos dispararam junto à parede e se espremeram num buraco estreito.

Lá dentro, mal cabiam os dois. O rato do campo encolheu as patas. Bem perto deles, passos atravessaram o quarto.

Alguém arrastou um saco pelo chão. Depois, os passos se afastaram, e a porta se fechou.

O visitante continuou imóvel, com o coração batendo depressa.

O rato da cidade espiou para fora.

— Já foi. Vamos terminar de comer.

Saíram devagar. O rato do campo procurou o figo que deixara cair, mas manteve as orelhas voltadas para a porta.

O amigo o chamou para perto de um pote de mel.

Antes que chegassem, ouviram passos outra vez.

A maçaneta girou.

Os dois correram de volta ao buraco. Na pressa, o rato do campo raspou as costas na madeira da entrada. Ficou apertado contra o amigo, esperando os passos irem embora.

Quando a casa tornou a sossegar, ele saiu do esconderijo e procurou a fresta por onde havia entrado.

— Já vai? Ainda temos tanta comida! — disse o rato da cidade.

— Vou para casa. Obrigado pelo jantar, mas deixei alguns grãos lá. Quero comê-los sossegado.

Despediu-se do amigo e tomou o caminho de volta.

Na sua toca, o rato do campo se sentou junto aos grãos e começou a comer, enquanto o vento passava pela plantação.