Verdade
O Rato do Campo e o Rato da Cidade

Um rato deixa os grãos de sua toca para conhecer os banquetes da cidade. Entre figos, mel e portas que se abrem de repente, descobre o preço daquela fartura.
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- Indicação
- A partir de 4 anos
- Duração
- 5 min de narração
- Fonte
- Esopo, The Town Mouse and the Country Mouse; tradição de Esopo
- Adaptação
- Reconto próprio fiel à tradição original.
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O que esta história ajuda a formar
Diante dos perigos do banquete, o rato do campo escolhe voltar à comida simples e à tranquilidade de sua toca.
Para ler em família
Leia a história
O rato do campo morava à beira de uma plantação, numa toca debaixo de uma árvore. Perto da entrada, guardava os grãos que recolhia entre as espigas.
Certa manhã, recebeu a visita de um amigo que morava na cidade.
— Entre! Fique para comer comigo.
Escolheu os melhores grãos de sua reserva. Trouxe também algumas raízes e acomodou o amigo num canto abrigado.
Os dois se sentaram para comer. Do lado de fora, o vento passava pela plantação.
O rato da cidade provou um grão. Depois, roeu a ponta de uma raiz.
— É isso que você come todos os dias?
— É o que encontro por aqui. Pode pegar mais.
Mas o visitante deixou a raiz de lado.
— Você precisa conhecer a minha casa! Lá há farinha, aveia, figos e potes cheios de mel. Venha comigo. Quero lhe oferecer um jantar de verdade.
O rato do campo olhou para os grãos que havia separado com tanto cuidado. Nunca tinha provado mel. E como seriam os figos?
Naquela tarde, os dois partiram para a cidade.
Caminharam até uma casa grande. O rato da cidade entrou por uma fresta junto ao chão e fez sinal para o amigo segui-lo.
Do outro lado havia um quarto onde os donos da casa guardavam comida.
O rato do campo parou na entrada.
Nas prateleiras, os potes ficavam enfileirados. Havia sacos de farinha encostados na parede, flocos de aveia espalhados e um cesto cheio de figos secos.
— Pode escolher — disse o anfitrião.
O visitante se aproximou do cesto. Segurou um figo com as duas patas e deu uma mordida. Era macio por dentro, doce e cheio de sementes miúdas.
— Gostou? Espere até provar o mel!
O rato do campo ia dar outra mordida quando a maçaneta da porta se moveu.
O amigo largou a comida.
— Depressa! Por aqui!
A porta se abriu. Os ratos dispararam junto à parede e se espremeram num buraco estreito.
Lá dentro, mal cabiam os dois. O rato do campo encolheu as patas. Bem perto deles, passos atravessaram o quarto.
Alguém arrastou um saco pelo chão. Depois, os passos se afastaram, e a porta se fechou.
O visitante continuou imóvel, com o coração batendo depressa.
O rato da cidade espiou para fora.
— Já foi. Vamos terminar de comer.
Saíram devagar. O rato do campo procurou o figo que deixara cair, mas manteve as orelhas voltadas para a porta.
O amigo o chamou para perto de um pote de mel.
Antes que chegassem, ouviram passos outra vez.
A maçaneta girou.
Os dois correram de volta ao buraco. Na pressa, o rato do campo raspou as costas na madeira da entrada. Ficou apertado contra o amigo, esperando os passos irem embora.
Quando a casa tornou a sossegar, ele saiu do esconderijo e procurou a fresta por onde havia entrado.
— Já vai? Ainda temos tanta comida! — disse o rato da cidade.
— Vou para casa. Obrigado pelo jantar, mas deixei alguns grãos lá. Quero comê-los sossegado.
Despediu-se do amigo e tomou o caminho de volta.
Na sua toca, o rato do campo se sentou junto aos grãos e começou a comer, enquanto o vento passava pela plantação.
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