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Verdade

O Cão e sua Sombra

A partir de 4 anos5 min de narração

Ilustração de O Cão e sua Sombra

Um cão recebe um pedaço de carne, mas confunde o próprio reflexo com outro cão e perde o que já possuía ao tentar ficar também com uma aparência.

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Indicação
A partir de 4 anos
Duração
5 min de narração
Fonte
http://www.mythfolklore.net/aesopica/jacobs/3.htm
Adaptação
Reconto próprio fiel ao núcleo tradicional, ampliado para oralidade infantil.

Também disponível em YouTube, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer.

O que esta história ajuda a formar

A criança vê a diferença entre um bem real e uma imagem desejada, percebendo a consequência do autoengano sem receber uma moral explicada.

Para ler em família

Leia a história

Naquela manhã, um cão parou diante da porta do açougue, atraído por um cheiro delicioso.

O açougueiro o viu esperando e lhe deu um belo pedaço de carne.

O cão apanhou o presente com cuidado e partiu contente.

Não queria comê-la ali, no meio da rua. Conhecia um lugar sossegado do outro lado do riacho, debaixo de uma figueira. Ali poderia se deitar à sombra e saborear seu achado sem que outro animal viesse incomodá-lo.

Seguiu pela estrada com a carne presa entre os dentes.

Passou por duas galinhas que ciscavam junto a uma cerca. As galinhas levantaram a cabeça, mas o cão apertou o passo.

Passou por um gato estendido sobre um muro. O gato abriu um olho, sentiu o cheiro da carne e se espreguiçou. O cão apressou-se ainda mais.

— Esta carne é minha — pensou. — E vai chegar inteira até a figueira.

Logo ouviu o barulho do riacho correndo entre as pedras.

Para chegar ao outro lado, precisava atravessar uma ponte estreita, feita com uma única tábua. O cão pôs uma pata sobre a madeira. Depois outra. A água brilhava lá embaixo, clara e inquieta.

Ele avançou devagar.

No meio da ponte, olhou para o riacho.

E parou.

Debaixo dele havia outro cão.

O outro cão também estava sobre uma ponte. Tinha o mesmo pelo, as mesmas orelhas e os mesmos olhos atentos. E levava na boca um pedaço de carne.

O cão inclinou a cabeça.

O outro fez o mesmo.

Deu um passo para a direita.

O outro também deu.

O cão ergueu um pouco a carne. O animal do riacho ergueu a dele. A corrente balançava a imagem, fazendo aquele pedaço parecer ora mais largo, ora mais comprido.

O cão já tinha comida bastante para matar a fome. Já tinha um lugar tranquilo onde poderia saboreá-la. Mas, quanto mais olhava para a água, menor lhe parecia o que estava em sua própria boca.

Não percebeu que via apenas sua imagem no riacho.

— Se eu ficar com os dois, terei um grande banquete — pensou.

Firmou as patas na tábua e mostrou os dentes.

O cão da água mostrou os dentes também.

O cão soltou um rosnado baixo.

Lá embaixo, a água tremeu, e o outro pareceu rosnar de volta.

Então o cão esqueceu a figueira. Esqueceu o caminho. Esqueceu até a carne que já carregava.

Abriu a boca para latir:

— Au!

No mesmo instante, seu pedaço de carne caiu.

Tocou a água com um pequeno ruído e desapareceu na correnteza.

O outro cão desapareceu também.

O cão ficou imóvel sobre a ponte, olhando para as ondas que se alargavam. Procurou a carne entre as pedras. Correu até a margem. Farejou os juncos. Acompanhou o riacho por alguns passos.

Não encontrou nada.

Quando tornou a olhar para a água, viu somente seu próprio focinho e a boca vazia.

Do outro lado do riacho, a figueira continuava lançando sua sombra fresca sobre a relva.

O cão atravessou a ponte de boca vazia e deitou-se sob ela sem nada para comer.