Responsabilidade
A Construção do Argo

Com o auxílio de Atena, Argos constrói o navio que levará Jasão à procura do Velocino de Ouro. Os companheiros se reúnem, escolhem seu chefe e preparam o Argo para ganhar o mar.
Prefere ler? Leia a história ↓
- Indicação
- A partir de 7 anos
- Duração
- 7 min de narração
- Fonte
- Argonáuticas, livro I; Biblioteca, I.9.16
- Adaptação
- Reconto próprio baseado nas Argonáuticas, livro I, de Apolônio de Rodes, e na Biblioteca, de Pseudo-Apolodoro.
Também disponível em YouTube, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer.
O que esta história ajuda a formar
Argos e Atena constroem; madeira falante; reunião dos companheiros; escolha de Jasão por indicação de Hércules; lançamento coletivo segundo instruções técnicas; invocação divina; partida com música e saudade.
Para ler em família
Leia a história
Na praia, as primeiras madeiras estavam estendidas sobre a areia. Argos se curvou sobre uma delas, conferiu a medida e voltou ao trabalho. Ali seria construído o navio que levaria Jasão à procura do Velocino de Ouro.
O rei Pélias o mandara buscar o tesouro na distante Cólquida, esperando que ele nunca voltasse. Jasão procurara Argos para construir a embarcação. Agora, diante da madeira ainda sem forma, havia um mar inteiro por atravessar.
Argos tinha o auxílio de Atena. A deusa guiava seu trabalho, ensinando como ajustar as peças para que o navio suportasse a viagem. A longa viga do fundo recebeu as outras madeiras; os lados foram tomando forma, e entre eles apareceram os bancos dos remadores.
O navio teria cinquenta remos. Chamaram-no Argo, em homenagem ao construtor.
Na parte da frente, Atena colocou uma madeira diferente. Vinha de um carvalho sagrado de Dodona e conservava um dom extraordinário: podia falar.
Por enquanto, permanecia quieta entre as outras peças.
Quando o navio ficou pronto, Jasão consultou o oráculo. Recebeu permissão para reunir os heróis da Grécia e partir. O chamado se espalhou, e homens de várias terras vieram à praia para tomar parte na viagem.
Entre eles estava Hércules. Trouxera o arco e a pesada clava com que enfrentava seus inimigos. Sua chegada atraía os olhares dos outros guerreiros.
Veio também Orfeu, levando uma lira. Quando seus dedos tocavam as cordas, a música podia encantar até pedras e árvores. Jasão o recebeu entre os companheiros.
Tífis conhecia os sinais do mar. Sabia observar o sol e as estrelas, perceber a mudança dos ventos e escolher a hora de navegar. Atena o havia chamado para aquela viagem; seria ele quem guiaria o navio.
Argos também embarcaria. Depois de construir o Argo, atravessaria o mar dentro dele.
Com as provisões reunidas e os equipamentos prontos, os companheiros se sentaram perto da embarcação. Alguns ocuparam as velas dobradas; outros, o mastro que ainda estava deitado na praia. Jasão ficou diante deles.
— Precisamos escolher quem vai nos conduzir — disse. — Alguém que cuide da viagem e fale por nós quando encontrarmos outros povos.
Os homens se voltaram para Hércules. Logo, muitas vozes o chamaram para o comando.
Hércules continuou sentado. Estendeu a mão e respondeu:
— Não me deem essa honra. Jasão nos reuniu. Que ele seja o nosso chefe.
Os companheiros concordaram. Jasão se levantou, contente com a escolha, e chamou todos ao trabalho. Antes de navegar, ofereceriam um sacrifício a Apolo, pedindo que os guiasse. Mas primeiro era preciso levar o Argo até a água.
O navio estava inteiro sobre a areia. Os homens se aproximaram dos lados; visto de perto, o casco se erguia acima deles.
Argos deu as instruções. Apertaram cordas para reforçar a embarcação e cavaram na areia um caminho até o mar. No fundo dessa passagem, colocaram troncos lisos, sobre os quais o casco poderia rolar.
Depois, inclinaram o Argo sobre os primeiros troncos. A madeira rangeu ao receber o peso.
Prenderam os remos de modo que servissem de apoio para empurrar. Os heróis se distribuíram dos dois lados, firmando as mãos e o peito contra eles. Os pés buscaram apoio na areia.
Tífis subiu a bordo. De lá, podia dar o sinal para que todos fizessem força no mesmo instante.
Sua voz soou sobre a praia.
Os homens empurraram juntos.
O Argo saiu do lugar. Os troncos giraram debaixo do casco, rangendo, e a embarcação avançou. Os companheiros continuaram ao lado dela, acompanhando o movimento, enquanto a areia cedia sob seus pés.
A água estava perto. Mais um trecho, e o peso do navio passou dos troncos para o mar. O Argo flutuou, movendo-se sobre as pequenas ondas, e os homens o contiveram para que não se afastasse.
Levaram para bordo as provisões, o mastro e as velas. Distribuíram os lugares dos remadores e confiaram o leme a Tífis.
Na praia, ergueram um altar de pedras. Jasão pediu a Apolo que conduzisse a embarcação até a Cólquida e de volta à Grécia. Ofereceram dois bois em sacrifício; depois, prepararam a refeição e passaram a noite junto ao mar.
Ao amanhecer, Tífis despertou os companheiros.
Enquanto se preparavam para embarcar, um som estranho correu pelo porto. Vinha do próprio Argo: a madeira do carvalho sagrado chamava os viajantes à partida.
Um a um, eles ocuparam seus bancos. Hércules se sentou no meio da embarcação, deixando a clava a seu lado. As cordas que prendiam o navio à terra foram soltas.
Jasão desviou os olhos da praia. Tinha lágrimas no rosto ao deixar sua terra.
Orfeu tocou a lira. Ao ritmo da música, os remos mergulharam juntos e voltaram a subir, derramando água ao sol. O Argo ganhou movimento, e Tífis o conduziu para fora do porto.
Em mar aberto, ergueram o mastro e soltaram a vela. O vento a encheu, levando o navio adiante sobre a água azul.
Episódio 2 · Os Argonautas
Continue nesta aventura
Continue
Outras histórias a partir de 7 anos

Arthur e a Espada na Pedra
Em uma Bretanha sem rei, nobres e guerreiros tentam retirar uma espada cravada numa pedra. Mas é Arthur, um jovem desconhecido que apenas procurava ajudar o irmão, quem consegue realizar aquilo que nenhum homem poderoso foi capaz de fazer.

Arthur e Merlin
Pouco depois de receber a coroa, Arthur ainda precisa aprender a governar. Quando aceita um combate apenas para defender o próprio orgulho, perde a espada que retirara da pedra e quase perde a vida. Sob a orientação de Merlin, ele encontrará Excalibur e descobrirá que um rei precisa vencer primeiro a si mesmo.

Hércules e a Corça de Cerineia
Uma corça de chifres de ouro, sagrada e mais veloz que qualquer cavalo — e um ano inteiro de paciência para alcançá-la sem feri-la.