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Coragem

A Bela Adormecida

A partir de 4 anos6 min de narração

Ilustração de A Bela Adormecida

Uma maldição interrompe a alegria de um reino. Na torre, a princesa adormece; no pátio, os cães se aquietam; até o fogo para de se mover. Enquanto os espinhos escondem o castelo, do lado de fora os anos continuam passando.

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Indicação
A partir de 4 anos
Duração
6 min de narração
Fonte
Irmãos Grimm, A Bela Adormecida (Dornröschen), KHM 50
Adaptação
Reconto próprio condensado e fiel ao núcleo tradicional.

Também disponível em YouTube, Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer.

O que esta história ajuda a formar

O príncipe ouve a história do castelo e decide seguir até ele. Ao completar-se o tempo do encantamento, a cerca de espinhos se abre em flores, e o reino desperta.

Para ler em família

Leia a história

Um rei e uma rainha desejavam muito ter um filho. Durante anos, esperaram. Quando enfim nasceu uma menina, o rei abriu as portas do castelo e preparou uma grande festa.

No reino viviam treze fadas. Mas, no palácio, havia apenas doze pratos de ouro para recebê-las. O rei convidou doze e deixou uma de fora.

Depois do banquete, as convidadas se aproximaram do berço. Uma ofereceu bondade à menina; outra, beleza; outra, sabedoria. Cada fada lhe dava um presente que ela levaria pela vida.

A décima primeira acabava de falar quando a porta se abriu.

Era a fada que não recebera convite.

Ela caminhou até o berço e disse, com a voz dura:

— Ao completar quinze anos, a filha do rei espetará o dedo numa haste de fiar e morrerá.

Virou as costas e foi embora.

A rainha tomou a menina nos braços. Então a última das convidadas, que ainda não dera seu presente, se adiantou.

— Não posso desfazer esse mal por inteiro. Mas a princesa não morrerá. Dormirá por cem anos.

O rei mandou queimar todas as hastes de fiar do reino. Eram pequenas hastes pontudas de madeira, usadas para transformar a lã ou o linho em fio. Não queria que nenhuma delas chegasse perto da filha.

A menina cresceu bondosa e alegre, querida por todos no castelo.

No dia em que completou quinze anos, seus pais haviam saído. Passeando pelos corredores, a princesa encontrou uma escada estreita que subia em voltas até uma torre antiga.

Lá no alto havia uma porta, com a chave na fechadura.

Ela girou a chave.

Dentro do quarto, uma velhinha fiava junto à janela. Entre seus dedos, a haste rodava, puxando um fio comprido.

— Bom dia! O que a senhora está fazendo?

— Estou fiando, minha filha.

A princesa se aproximou, curiosa, e estendeu a mão para experimentar.

Mal tocou na haste, espetou o dedo. Seus olhos se fecharam, e ela caiu adormecida sobre a cama que havia ali.

O sono desceu a escada e se espalhou pelo castelo.

O rei e a rainha, que acabavam de voltar, adormeceram no salão. Na cozinha, o cozinheiro parou diante do fogão. Os cavalos dormiram nas baias; os cães, no pátio. No telhado, as pombas esconderam a cabeça sob as asas.

Até o fogo ficou imóvel. Nenhuma folha se mexia no jardim.

Ao redor dos muros, cresceu uma cerca de espinhos. A cada ano, seus ramos subiam mais, até esconderem as janelas, as torres e a bandeira mais alta.

Do lado de fora, os anos continuavam passando.

As pessoas contavam que, atrás daquela cerca, dormia uma princesa. Alguns príncipes tentaram atravessá-la, mas os ramos os prenderam. Não conseguiram se soltar e morreram ali.

Muito tempo depois, outro príncipe chegou àquelas terras. Um velho lhe contou a história do castelo e avisou:

— Outros já tentaram entrar. Nenhum voltou.

O príncipe ouviu tudo. Mesmo conhecendo o perigo, decidiu seguir até o castelo.

Naquele dia, porém, completavam-se os cem anos do encantamento.

Quando ele chegou à cerca, encontrou os ramos cobertos de flores. Eles se afastaram à sua passagem e tornaram a se fechar atrás dele.

No pátio, os cães dormiam. As pombas permaneciam no telhado. O príncipe atravessou o salão onde estavam o rei e a rainha e encontrou a escada da torre.

Subiu. No silêncio, ouvia a própria respiração.

Ao abrir a porta, viu a princesa adormecida. Aproximou-se da cama, inclinou-se e a beijou.

Ela abriu os olhos e sorriu.

Os dois desceram juntos. No salão, o rei despertou; a rainha também. Os cavalos sacudiram as crinas, os cães saltaram, e o fogo voltou a crepitar na cozinha.

As pombas abriram as asas e voaram sobre o jardim.

Depois, o príncipe e a princesa se casaram. No salão da festa, as janelas estavam abertas, e a música chegava até as roseiras.